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sábado, 31 de julho de 2010

As empresas com melhor reputação em 2010



Nossa, estava cheia de ideias para novos posts, mas desde que meu "novo velho amigo" Eike entrou no Twitter, ando ainda mais sem tempo. Espionar dá um trabalho danado! hehehe Mas vamos deixar de trololó e colocar o assunto em dia!

Para o pessoal do Reputation Institute, há sete boas práticas que as empresas com boa reputação fazem:

* Elas adotam um único modelo de gestão de reputação
* Entendem o que a gestão da reputação representa para cada stakeholder
* Alinham o conteúdo das mensagens corporativas às atividades direcionadas para cada stakeholder
* Alinham os funcionários ao modelo de gestão da reputação
* Têm uma comissão intersetorial para cuidar da reputação para assegurar que as ações são coerentes
* Monitoram a reputação com os diferentes stakeholders e comparam com a dos concorrentes e benchmarking.
* Integram a gestão da reputação ao modelo de negócio
 
No último dia do evento do Reputation Institute aqui no Rio, eles divulgaram em primeira mão os vencedores do Global Pulse 2010: Google e Sony. Agora, a versão completa do estudo 2010 Pulse The Most Reputable Companies in the World está disponível, em inglês, no site do Reputation Institute. O conteúdo é super interessante, principalmente se levarmos em consideração que 80% da reputação de uma empresa derivam de outros fatores que não são os produtos que vendem ou os serviços que prestam.

Para acessar o PDF, clique aqui.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O sincretismo religioso da Bahia e a construção da imagem corporativa


Eu tinha ficado de escrever mais sobre a conferência do Reputation Institute aqui no Rio e, na viagem para Salvador, encontrei um ótimo gancho.

A última sessão plenária da quarta, dia 19, discutiu os fatores-chave para a construção e sustentação de uma boa reputação para uma empresa que opera em vários países. E Salvador Apud levantou muito bem a importância de entender a cultura local em que uma empresa estrangeira deseja se instalar.
Para ele, empresas só conseguem se manter em mercados globais sem pensar no aspecto cultural se não tiverem concorrentes fortes. E ele chegou a afirmar que o sentimento de nacionalidade consegue limitar aspectos racionais.

Assim, ele deu uma verdadeira aula sobre como negociar levando em consideração o ponto de vista do outro. Não dá mais para chegar em outros países e tentar impor o modo de operar, de vender, de agir da sede sem fazer concessões. Parece óbvio e fácil, mas tem muito peixe grande errando por aí!

E o que isso tem a ver com a Bahia? Bem, só no Pelourinho encontramos uma placa em frente a uma igreja católica em que se lê "Largo Terreiro de Jesus". Só na Bahia o sincretismo é tão aceito e difundido que um terreiro de candomblé pode ser dedicado ao grande redentor do Catolicismo e ninguém estranha. Se uma empresa tentar ir para a Bahia e não for benevolente e aberta a novos paradigmas pode se dar super mal!

Salve Salvador (Apud)! 

Veja mais sobre o primeiro dia da conferência do Reputation Institute no Rio aqui.
Todos os posts do Imagem e Comunicação inspirados na conferência estão no marcador RIRio.

domingo, 23 de maio de 2010

14 ª Conferência do Reputation Institute, dia 3


A sexta-feira, apesar de ter programação mais curta, foi de imenso aprendizado. Não fui às breakout sessions, me guardei para as plenárias. Estava cansada com a overdose de informações que tinha recebido nos dois dias anteriores e precisava digerir aquilo tudo.

Na primeira plenária tivemos as apresentações de Dr Charles Fombrun, presidente do Reputation Institute, e de Eduardo Eisler, diretor de estratégia de negócios da Tetra Pak para a América Latina. E eu fiquei completamente encantada.

Charles Fombrun apresentou em dez lições o que tinha aprendido sobre reputação ao longo dos anos com o que o Reputation Institute vem fazendo. Para quem ainda duvida que haja relação entre o aumento da reputação e dos resultados de uma empresa, ele frisou: "um aumento de 8 a 10% na reputação leva a um aumento de 10% no apoio da sociedade em relação à empresa e um aumento de 10% na reputação de uma empresa pode representar aumento de 13% no seu valor de mercado". Fantástico, não?
Ele também citou que aproximadamente 20% da reputação de uma empresa são oriundos dos produtos ou serviços oferecidos. Este pilar é o que apresenta maior peso entre os demais (desempenho, inovação, local de trabalho, governança, cidadania e liderança). E isso me fez pensar, mais uma vez, no quanto as empresas que insistem em oferecer ao mercado produtos que não são seguros para a saúde do consumidor estão correndo riscos.

Eduardo Eisler falou de como a Tetra Pak lida com questões de sustentabilidade e como trabalhou/trabalha internamente os gaps que existiam/existem entre o que a empresa desejava/deseja ser e como era/é vista. Para ele, a empresa foi ao divã do analista e renasceu nos últimos anos. Engajamento e alinhamento me pareceram palavras de ordem para que a empresa cumpra a sua missão de levar produtos seguros a toda parte do mundo.
Fiquei tão cativada pela transparência da apresentação de Eisler que deixei um bilhetinho com o meu contato com o pessoal de comunicação da Tetra Pak para que possamos pensar juntos ações para que os alimentos que a Tetra Pak embala e leva ao mundo sejam realmente seguros. Imagina se uma empresa do tamanho da Tetra Pak, presente em 150 mercados e uma das principais produtoras de embalagens, faz pressão junto aos produtores de alimentos para que não usem mais susbtâncias potencialmente cancerígenas, corantes ou conservantes desnecessários em suas fórmulas? No diagrama das cinco forças de Porter eles têm um poder de barganha incrível. Se somados a uma demanda dos consumidores por alimentos mais saudáveis, então... amigão... o poder de barganha pode ser arrebatador. Imaginei isso tudo enquanto Eisler falava e foi impossível não lembrar do meu lema de vida: "sozinhos somos nada, juntos somos infinitos"!




Outro ponto alto do último dia da Conferência foi a premiação do professor da UFRJ Evandro Vieira Ouriques como o melhor acadêmico do ano, pelo seu trabalho com a criação do quarto bottom line da sustentabilidade: a gestão da mente sustentável. Nosso Pós-doutor em Cultura de Comunicação, Globalização de Mercados e Responsabilidade Ética está certíssimo quando nos lembra que nada mudará se o nosso modo de ver o mundo não mudar. Nós somos o que pensamos. E se não pensarmos de modo sustentável, nunca seremos sustentáveis. Parece óbvio. Mas as grandes descobertas que movem o mundo sempre parecem "óbvias" depois de reveladas. Lembram da roda? O difícil disso tudo é converter o óbvio em ação. Como se muda um mindset? Só com tempo, muito tempo e dedicação.
Para quem quiser saber mais sobre o quarto bottom line, há uma boa explicação aqui.

É isso, pessoal. Mas eu não ficarei por aqui. Tenho ainda muito o que escrever sobre a conferência. Acompanhem o marcador RIRio! :-)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

14 ª Conferência do Reputation Institute, dia 2



Hoje eu destaco duas apresentações que assisti em breakout sessions. A primeira, mostrou como a Gerdau faz o dever de casa direitinho de acompanhar e mensurar tudo o que é dito na mídia sobre ela, em quase todos os países em que atua. Ok, tudo não. O monitoramento é basicamente feito na mídia impressa e online (sem levar em conta ainda as mídias sociais). Mas a empresa pretende incorporar as mídias sociais ao balanço de mídia e aumentar a cobertura para todos os países onde atua.

Renato Gasparetto, diretor de assuntos institucionais e comunicação corporativa da Gerdau, afirmou que o grupo acredita e estimula a liberdade de imprensa e que para eles o que importa não é o volume de notícias veiculadas sobre a empresa, mas a "qualidade" das matérias. Nisso, eles analisam o conteúdo, o veículo, o alcance, etc. Fazem uma verdadeira análise do que é dito e com esses relatórios ajustam, quando necessário, as estratégias de comunicação. Para se ter uma ideia, o sistema deles de análise da mídia é tão sofisticado que, para a contabilidade das métricas, uma notícia negativa anula duas positivas com o mesmo alcance. E faz parte do scorecard deles a prerrogativa de "consolidar a imagem e as relações institucionais". Maravilha, né? Saí encantada com a Gerdau. E partilho totalmente da ideia de que só podemos administrar aquilo que conhecemos! Qualquer planejamento de comunicação que não leva a sério o estágio de conhecer quais são os pontos positivos e negativos da imagem da empresa e a percepção que os stakeholders têm dela está fadado ao fracasso! :-)

A segunda apresentação que eu destaco hoje tem a ver com a internacionalização de marcas. James N Bell, da Lippincott Brand Strategy & Design, chamou a atenção para empresas que vêm de outros países que não fazem parte dos Brics (chamado por ele de BricOs - Bric + others) e que estão "roubando a cena" no cenário mundial. Ele divide essas empresas entre as "Emerging Giants", "New Champions" e os "Arabian Knights". Para mim, estes últimos são os mais interessantes. Isso porque, segundo ele, empresas como a Emirates estão elevando os padrões do que é considerado serviço de luxo no mundo e com isso estão aumentando o padrão de expectativa dos consumidores em relação a seus concorrentes. Realmente, não dá para ignorar esse fato.

No final da breakout session sobre os desafios da gestão de marca em processos de internacionalização, não resisti e fiz uma pergunta. Os apresentadores (além de Bell, estavam à mesa também Nicolas Trad e Anthony Johndrow, ambos do Reputation Institute) muito tinham falado sobre os aspectos que influenciam positiva e negativamente as marcas. E nesse interim me veio à cabeça, mais uma vez, a EBX, que não foi citada em nenhuma das apresentações que assisti até o momento. Então, perguntei o que eles achavam das empresas que têm reputação fortemente ancorada na reputação do CEO. E o que elas poderiam fazer para minimizar os riscos. Minha pergunta não fluiu tão bem quanto como escrevo agora, porque fiquei meio tímida de fazê-la em inglês, com um microfone na mão e sob o olhar de todos. Mas foi completamente compreendida pelos palestrantes e todos tiveram algo a dizer.

Em linhas gerais, o conselho dado às empresas com reputação fortemente ancorada em seus CEOS é: tentem construir uma boa reputação também baseada em aspectos racionais e não apenas na empatia que os stakeholders sentem pelo líder. Mostrem que a empresa segue mesmo sem a figura do heroi porque ninguém é insubstituível. Mostrem quem seria a segunda opção se acontecesse algo ao Super Homem. E tirem vantagem do aspecto humano que a figura de um líder carismático confere a uma empresa. Afinal, pessoas tendem a acreditar/confiar muito mais em pessoas do que em empresas frias. E são mais suscetíveis a perdoar pessoas do que empresas.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

14 ª Conferência do Reputation Institute, dia 1



Depois de meses de espera, eis que finalmente chegou o grande dia! Começou hoje a 14ª Conferência sobre Reputação Corporativa, Marca, Identidade e Competitividade do Reputation Institute. O tema deste ano é o papel estratégico da Sustentabilidade para a administração de Reputação. E vou registrar aqui no blog minhas impressões sobre o evento.

O dia teve boas discussões (que tratarei com mais calma em outros posts, para dar a devida atenção), mas, sinceramente, estas não partiram dos patrocinadores oficiais do evento. A apresentação da Petrobras, comandada por José Lima de Andrade Neto, foi assim assim, para cumprir tabela. Tanto que não fiz nenhuma anotação. Já a do Itaú-Unibanco me deixou em polvorosa para fazer uma pergunta (que não fiz no evento, mas mandei por email para Fernando Chacon, diretor de marketing do Itau. Se ele responder, eu compartilho)

Em sua apresentação, Chacon falou, pela perspectiva do banco, sobre as ações que estimulam o uso consciente do crédito. E chegou a dizer que as reclamações dos consumidores acerca de cobranças diminuíram após a implementação de uma comunicação mais transparente. Beleza. Mas no meu humilde ponto de vista, a relação entre bancos e sustentabilidade não fica por aí não.

Como um banco pode dizer que pratica no Brasil o crédito consciente se as taxas cobradas aqui são das mais altas do mundo? Chegam a 600% ao ano no crédito rotativo do cartão de crédito, segundo estudos da Proteste. No nosso contexto, joga-se para o consumidor toda a responsabilidade por não se endividar para não ter que pagar horrores de juros.

Um banco consciente de seu papel estratégico na economia não deveria oferecer melhores condições aos consumidores? As taxas de juros cobradas ao consumidor no Brasil nunca caem, apesar de todos os avanços na nossa economia. As taxas não caem nem mesmo quando melhora a inadimplência. Eu não consigo entender isso. Não sou economista, sou apenas jornalista. Mas sempre me venderam a ideia de que o retorno dos negócios é atrelado ao risco. Risco menor deveria significar retorno menor, não?

Não seria o momento de os bancos brasileiros mostrarem que confiam nos consumidores e começarem um movimento de queda de juros para o consumidor final? Crédito mais barato seria, com certeza, mais "sustentável", apresentaria uma relação de ganha x ganha, e o banco que fizer isso no Brasil poderá colher frutos abundantes de reputação.

E por falar em patrocinadores do evento, senti falta da EBX na lista de sponsors. Estão lá: Vale, Petrobras, Cemig, Gerdau, Unimed, etc e nada da EBX... Seria uma boa oportunidade para consolidar internacionalmente a ideia de que a EBX também se preocupa com sustentabilidade. Mas deixaram passar!


PS: Para não dizer que não falei das flores, Marcos Bicudo, presidente da Philips Brasil mostrou que sustentabilidade na Philips é uma discussão madura. Show de bola! Articular os articuladores é mesmo o que precisa ser feito para que alcancemos os resultados almejados. Para saber mais sobre sustentabilidade na Philips, clique aqui.