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terça-feira, 19 de junho de 2012

O que mudamos desde o Egito Antigo?

Há alguns dias, estive no Louvre. Esta foi a minha terceira visita àquele museu e, a cada vez, descubro uma nova preciosidade. Seja porque simplesmente não tinha tido tempo ainda de ver tal peça, seja porque a vejo com novos olhos.

Nesta visita, me chamou a atenção um hieróglifo na parte do Egito Antigo. Tive que tirar fotos para mostrar a vocês que "desde que o mundo é mundo" as pessoas sentem necessidade de contar as suas histórias. "Desde que o mundo é mundo" já existe marketing pessoal. E "desde que o mundo é mundo", os conhecimentos são tratados como tesouros, guardados a sete chaves e passados como herança aos filhos. Nestes aspectos, não mudamos tanto desde o Egito Antigo, não é?

Em português, o que temos aproximadamente na pedra é:

"O escriba e mestre artesão, escultor Irtysen disse:
Eu sei os segredos do hieróglifos e sei realizar rituais de celebração, eu domino a magia e nada me escapa, eu sou um artesão especialista na minha arte e me distingo por meu conhecimento. Eu sei as técnicas de fundição (?), pondero de acordo com as regras e técnicas de montagem, de modo que cada elemento esteja no lugar, estou reproduzindo em estátuas homens marchando, mulheres, o comportamento das aves ... aprisiono a postura que evoca o medo ... e a face do inimigo morto (etc). Eu sei fazer materiais que o fogo não pode consumir nem a água dissolver. Eu não revelo o processo para ninguém, exceto a meu filho mais velho: o soberano divino me autorizou a revelar para ele, eu constatei a sua competência na condução dos trabalhos em vários materiais preciosos, de ouro a prata e marfim e ébano."




terça-feira, 11 de outubro de 2011

A reputação da Pizzaria Brasília


Sabe aquela piada de que em Brasília tudo acaba em pizza? Pois bem, recebi dia desses na minha caixa de correio um encarte de uma pizzaria perto da minha casa que ganha dinheiro com esta ideia.
Claro que guardei o assunto para um post aqui, né?

Na pizzaria "Ministério das Pizzas" ninguém sabe distinguir o Congresso dos Ministérios (prestem atenção à logomarca!!!), mas, ainda assim, tem-se a certeza de que tudo acaba em pizza. No cardápio, há pizza de tudo o que você puder imaginar... A do "abastecimento', por exemplo, tem carne seca e catupiry, a do "desenvolvimento" tem lombinho canadense, bacon, azeitona e não sei mais o quê... E por ai vai!

Nada escapa! Tudo virou pizza: promotoria, meio-ambiente, planejamento, saúde, mensalão, solidariedade, votação, cidadania e educação. Seria cômico, se não fosse trágico!

Deu fome? Passa lá qualquer dia desses! Quem sabe a gente se encontra na filial de Botafogo! E discute um pouquinho da reputação de Brasília, coitada, que já nasceu mal falada por tantos!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os 10 mandamentos do baiano e a imagem da Bahia

Sempre que vou à Bahia volto com um post inusitado. Já falei sobre o "Largo Terreiro de Jesus" e sobre o manobrista que afirma que com ele o sistema é bruto. Na viagem da semana passada (fui a Salvador logo depois do pulo que dei em Sampa), voltei com os "10 mandamentos do baiano".

As pérolas, impressas em uma camiseta vendida para turista dizem:
"Viva para descansar. O trabalho é sagrado, não toque nele. Coma, durma e, quando acordar, descanse. Nunca faça amanhã o que você pode fazer depois de amanhã. Etc"
Claro que é uma brincadeira. Mas isso me fez pensar sobre a imagem que as camisetas para turistas transmitem sobre as cidades em que são compradas.

E me deu uma vontade danada de dizer: "oh, meu rei, faça isso com a sua amada Bahia não! Reforce as belezas da sua terra, o axé, a diversidade cultural, mas não reforce essa ideia de que baiano é preguiçoso não, pelamordedeus!"

É, acho que esses "10 mandamentos do baiano" não são nada engraçados!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Analisando o sonho de Martin Luther King Jr.


Martin Luther King Jr.'s speech analyzed by Nancy Duarte from Duarte Design on Vimeo.

O método usado por Nancy Duarte (a autora do vídeo) é diferente do meu. Eu costumo analisar, basicamente, o significado e o simbolismo das palavras escolhidas em detrimento de outras, assim como o tom, a visão política, as referências e a audiência. Mas achei bem interessante o gráfico dela de cores ao dissecar o discurso e a atenção que ela chamou para a repetição durante a mensagem. Nada como trocar figurinhas!

Para quem se interessou, peguei o vídeo aqui.

Obrigada, Alexandre, pela sugestão. :-)

domingo, 19 de setembro de 2010

O peso das palavras: shaming não está com nada!



Meu querido poetamigo Manoel Affonso de Mello tem uma frase que adoro: "Palavra: a mais poderosa das armas. Não pelo tom, mas pelo eco." Esta semana eu vivi duas experiências que me fizeram refletir sobre o peso das palavras e o uso que damos para elas.

A primeira foi em São Paulo, na terça-feira 14. Fui a São Paulo para entrevistar o Diretor Estratégico da Consumers International, Joost Martens. E perguntei a ele quais seriam as regras para o Bad Company Awards deste ano, tendo em vista que no ano passado as empresas foram escolhidas com base em Greenwashing e o tema continua atual e estratégico. Ele me respondeu que não sabia se este ano haveria o "prêmio" porque a estratégia de "naming and shaming" tomava muito tempo para elaboração dos indicados e trazia pouco resultado efetivo. Que o melhor a fazer era trabalhar na conscientização e na parceria com as empresas. Fantástico! Quando ouvi isso fez-se uma luz na minha cabeça. Isso aí, "shaming" não está com nada! Cria inimigos, carrega uma energia pesada. O que todos querem é apoio, incentivo, bons exemplos a seguir!
 
A segunda experiência aconteceu ontem, no Rio, quando vi a exposição sobre os 120 anos de nascimento de Anita Malfatti, no CCBB. Eu já tinha escutado falar sobre a crítica de Monteiro Lobato à exposição dela. Mas não tinha apreendido o que tinha acontecido. Sabe aquela coisa que a gente ouve na aula de Literatura, mas passa batido? Pois bem, tinha sido assim. E eis que ontem eu percebi o peso que as palavras de Monteiro Lobato tinham tido na vida e obra de Anita Malfatti. Era uma "simples" crítica de jornal sobre a exposição. Mas machucou profundamente a artista, deixando a sua obra um tanto mais conservadora. E o mundo nunca saberá aonde Anita poderia ter chegado se não tivesse sofrido tal castração por parte de Monteiro Lobato.

Ok, ok, não adianta apontar canhões para Monteiro Lobato agora. Mas com esses exemplos eu quis propor uma reflexão acerca do que os profissionais de comunicação comunicam. O que estamos fazendo com o poder que temos? Vamos educar em vez de envergonhar?

Uma crítica nunca é simples. E há diferentes tipos de críticas. Há as críticas justas. Mas há também aquelas feitas por ignorância, seja por não saber do que se está falando, seja por não alcançar a grandeza do conceito proposto; as feitas por má fé; por inveja ou vingança, etc. Antes de criticar alguém vamos parar e pensar: o que me leva a fazer tal crítica? Em que ela pode ser "construtiva"? Ela é justa? É isso!

Se alguém quiser ver a tal crítica de Monteiro Lobato à exposição de Anita Malfatti, publicada em 20 de dezembro de 1917, no jornal O Estado de São Paulo, clique aqui. A minha entrevista com Mr Joost será publicada em breve pela Proteste. Quando sair, eu aviso!

PS: Hoje o Imagem E Comunicação completa seu primeiro aniversário! Parabéns pra ele! :-)

domingo, 18 de julho de 2010

Da importância de sonhar

Esse post é um parêntese ao que sempre escrevo por aqui. Poderia estar postado no meu outro blog, Pílulas de Delicadeza. Mas postarei aqui porque quero fazer referência a um post anterior daqui que vai na mesma linha de pensamento.

Em abril, postei um vídeo com Kevin Roberts, o criador do conceito de Lovermarks, que defendia que a moeda do futuro é a ideia. E que as ideias são baseadas em emoções, não na razão. Porque a racionalidade leva à conclusão, enquanto a emoção leva à ação. E Kevin sempre ilustra esse conceito dizendo que as pessoas comentam sobre o discurso de Martin Luther King porque ele disse que tinha um sonho. E brinca: ninguém comentaria o discurso dele se ele tivesse dito "I have a mission" em vez de "I have a dream". Porque pessoas não "compram missões ou estratégias", pessoas "compram sonhos".  Missões corporativas, em geral, são muito frias e distantes do cotidiano das pessoas.

Pois bem, ontem eu "conversei" via Twitter com Eike Batista. Quem me acompanha sabe que vira e mexe eu estou comentando algo sobre Eike, porque sou fascinada pela figura dele. E aí quando Nanda viu que Eike tinha me respondido, na hora ela percebeu o quanto eu iria gostar daquela resposta. E quando ela comentou sobre o feito, ela se referiu a sonho. :-)


Trazendo isso para o mundo corporativo, a lição que fica é: empresas, mantenham as suas estratégias (lembrando que estratégia não se muda a toda hora, é de longo prazo), mas comuniquem os seus sonhos! O de Eike é chegar aonde ninguém chegou antes. Com isso, ele atrai milhares de jovens talentosos que compartilham do mesmo desejo de superação.  
E o seu sonho, qual é?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O blá blá blá (in)sustentável X a sustentabilidade de verdade

 

A matéria "Palavras fazem diferença", publicada pela HSM, traz uma bela reflexão sobre a escolha de palavras que devem ser usadas em discursos de sustentabilidade para que a comunicação seja mais adequada.

Por exemplo: que tal trocar o termo "gestão dos recursos naturais" por "regeneração ou restauração da natureza"?
A matéria explica:


"Gestão reforça uma falsa sensação de que sabemos exatamente o que fazer e como a natureza vai responder às nossas ações. (...) "Recurso" transmite a noção de que a natureza é algo para ser usado. (...)
Termos como regeneração e resistência ilustram melhor o objetivo de restabelecer a capacidade de adaptação, flexibilidade e processos em curso que pode evoluir ao longo do tempo."

Esse texto me lembrou uma frase que ouvi há muito tempo, mas que é sempre atual:

"médico acha que é Deus, jornalista tem certeza..." 

Só mesmo tendo certeza que é "Deus" é que alguém pode achar que sabe exatamente como a natureza vai se comportar e que pode usar e abusar dela sem que ninguém o censure. Tá na hora de os jornalistas que escrevem sobre assuntos ligados à sustentabilidade prestarem mais atenção no discurso.

Para dar uma conferida no texto, clique aqui.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O que o mundo falou da tal minissaia



Eu tinha dito que tive vontade de analisar o impacto do caso Geisy para a imagem do Brasil. Não fiz, mas a BBC fez:


"A maior parte das reportagens reflete a surpresa dos estrangeiros ao constatar a repercussão em torno de um vestido curto no Brasil, país cuja imagem está intimamente ligada ao carnaval e às praias, onde as mulheres usam biquínis pequenos.

(...)

Mas nem todas as opiniões são favoráveis a Geisy."

Eu sou do grupo que acha que nesse caso ninguém é mocinho. Houve excesso nos dois lados. E não quero mais voltar nesse assunto. Já deu muito mais do que tinha que dar. #prontofalei!

Clique aqui e leia a matéria da BBC Brasil, se tiver curiosidade.

Fonte: Imprensa estrangeira mostra surpresa com o caso de aluna hostilizada.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Aprenda com o mestre!



Ainda no clima de rasgação de seda com Steve Jobs, eis que chega às minhas mãos (digo, à minha caixa de entrada) uma matéria da BusinessWeek com os segredos que o mestre usa em suas apresentações.

Quer saber quais são os seis principais?

* uso de elementos de filmes que prendem a atenção: vilões, mocinhos, efeitos especiais, etc. Afinal, ao fazer uma apresentação, ele está sempre contando uma estória.
* foco nos benefícios e dê significado aos números. Afinal, quem assiste uma apresentação sempre se pergunta: "e eu com isso?".
* venda de sonhos, não de produtos. Afinal, quem precisa de mais produtos? Ninguém, mas todos querem sonhar mais.
* chamadas facilmente "twittáveis". Assim, você ajuda as pessoas a difundirem a sua ideia em suas redes sociais.
* sumarização do que se vai falar. Assim, as pessoas já têm uma ideia do que você vai falar. E não fale por mais de dez minutos. Ninguém tem mais saco para discursos de Fidel...
* por fim, se você ainda não tem isso como um lema de vida, KEEP IT SIMPLE, STUPID! Uso de palavras e conceitos técnicos demais só cansa a beleza da galera que te assiste/lê.

A matéria é baseada em um livro de Carmine Gallo, um Communications Coach que assistiu a horas de apresentações de Jobs para desvendar os mistérios (e ganhar um dimdim com isso, why not?).