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terça-feira, 19 de junho de 2012

O que mudamos desde o Egito Antigo?

Há alguns dias, estive no Louvre. Esta foi a minha terceira visita àquele museu e, a cada vez, descubro uma nova preciosidade. Seja porque simplesmente não tinha tido tempo ainda de ver tal peça, seja porque a vejo com novos olhos.

Nesta visita, me chamou a atenção um hieróglifo na parte do Egito Antigo. Tive que tirar fotos para mostrar a vocês que "desde que o mundo é mundo" as pessoas sentem necessidade de contar as suas histórias. "Desde que o mundo é mundo" já existe marketing pessoal. E "desde que o mundo é mundo", os conhecimentos são tratados como tesouros, guardados a sete chaves e passados como herança aos filhos. Nestes aspectos, não mudamos tanto desde o Egito Antigo, não é?

Em português, o que temos aproximadamente na pedra é:

"O escriba e mestre artesão, escultor Irtysen disse:
Eu sei os segredos do hieróglifos e sei realizar rituais de celebração, eu domino a magia e nada me escapa, eu sou um artesão especialista na minha arte e me distingo por meu conhecimento. Eu sei as técnicas de fundição (?), pondero de acordo com as regras e técnicas de montagem, de modo que cada elemento esteja no lugar, estou reproduzindo em estátuas homens marchando, mulheres, o comportamento das aves ... aprisiono a postura que evoca o medo ... e a face do inimigo morto (etc). Eu sei fazer materiais que o fogo não pode consumir nem a água dissolver. Eu não revelo o processo para ninguém, exceto a meu filho mais velho: o soberano divino me autorizou a revelar para ele, eu constatei a sua competência na condução dos trabalhos em vários materiais preciosos, de ouro a prata e marfim e ébano."




sexta-feira, 15 de junho de 2012

Impressões da Conferência do Reputation Institute em Milão

Entre os dias 30 de maio e 1º de junho, aconteceu a 16ª Conferência Internacional em Reputação Corporativa, Branding, Identidade e Competitividade, realizada pelo Reputation Institute. O encontro deste ano, em Milão, debateu a globalização de empresas na Economia da Reputação.  Ou, em outras palavras, como manter uma boa reputação ao operar globalmente, levando em consideração a distância da sede e as diferenças culturais entre os países.

Durante as discussões ficou claro que não há como manter uma boa reputação - seja em casa, seja em outros países - quando há problemas de alinhamento estratégico nas empresas ou quando não há um cuidado com os ativos intangíveis pelos altos gestores. O cuidado com a reputação deve ser preocupação do CEO e de todos os executivos, assim como deve fazer parte da cultura da empresa, não sendo um projeto isolado a ser tocado exclusivamente pelo departamento de comunicação.  A preocupação com a Reputação deve ser constante e começar na sede, de preferência encabeçada pelo CEO.

A comunicação continua crucial, mas ela não faz milagres quando os gestores não se previnem contra crises de imagem e danos à reputação.  Durante o encontro, chegou a ser sugerida a implementação de remuneração variável para os gestores levando em consideração formas de avaliação da Reputação das empresas, o que achei fantástico. Não há dúvidas de que a reputação é uma geradora (ou destruidora, dependendo do contexto) de valor para as empresas.

O encontro discutiu também se as empresas são capazes de "exportar" a boa reputação que têm em seus países de origem para outros locais de atuação e se as empresas conseguem pegar carona na boa reputação que seus países de origem possuem quando se tornam empresas globais. Ainda não há um consenso a respeito destas questões. Mas, em geral, as empresas exportam parte da boa reputação para outros países e, sim, conseguem pegar carona na boa reputação de seus países quando eles são referência em aspectos como qualidade, design ou inovação.

Brasil bola da vez

Diante da crise internacional, o Brasil tem se mantido um ótimo mercado para empresas globais. Somos um país que conseguiu diminuir a pobreza em 50% entre 2002 e 2010, que terá 70% de sua população na classe média até 2030 e que no último ano acrescentou 12 novos nomes à lista de bilionários publicada pela Revista Forbes.

Para as empresas que estão querendo vir para o Brasil, durante a 16ª Conferência do Reputation Institute, eu apresentei dez dicas de como elas podem ser bem sucedidas. Essas dicas foram resultado de um trabalho de pesquisa sobre o que importa para os brasileiros, realizado pela Makemake e pelo coletivo de pesquisa e consultoria Póntos.

Em resumo, para ser bem sucedida, a empresa precisa vir desarmada de estereótipos.  Precisa vir disposta a criar laços e relacionamentos de longo prazo, pois os brasileiros costumam ser fiéis aos produtos e serviços que consomem. A organização precisa investir em redes sociais e em mídias digitais, pois os testemunhos de amigos funcionam mais do que os anúncios tradicionais. E, sobretudo, precisa investir em qualidade e em bom atendimento, pois os brasileiros das grandes cidades não se impressionam mais com o simples fato de um produto ser estrangeiro.

Para ver as outras dicas que apresentei, clique aqui para a apresentação em inglês.

Este texto foi originalmente publicado pelo Nós da Comunicação.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A reputação da Pizzaria Brasília


Sabe aquela piada de que em Brasília tudo acaba em pizza? Pois bem, recebi dia desses na minha caixa de correio um encarte de uma pizzaria perto da minha casa que ganha dinheiro com esta ideia.
Claro que guardei o assunto para um post aqui, né?

Na pizzaria "Ministério das Pizzas" ninguém sabe distinguir o Congresso dos Ministérios (prestem atenção à logomarca!!!), mas, ainda assim, tem-se a certeza de que tudo acaba em pizza. No cardápio, há pizza de tudo o que você puder imaginar... A do "abastecimento', por exemplo, tem carne seca e catupiry, a do "desenvolvimento" tem lombinho canadense, bacon, azeitona e não sei mais o quê... E por ai vai!

Nada escapa! Tudo virou pizza: promotoria, meio-ambiente, planejamento, saúde, mensalão, solidariedade, votação, cidadania e educação. Seria cômico, se não fosse trágico!

Deu fome? Passa lá qualquer dia desses! Quem sabe a gente se encontra na filial de Botafogo! E discute um pouquinho da reputação de Brasília, coitada, que já nasceu mal falada por tantos!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Os 10 mandamentos do baiano e a imagem da Bahia

Sempre que vou à Bahia volto com um post inusitado. Já falei sobre o "Largo Terreiro de Jesus" e sobre o manobrista que afirma que com ele o sistema é bruto. Na viagem da semana passada (fui a Salvador logo depois do pulo que dei em Sampa), voltei com os "10 mandamentos do baiano".

As pérolas, impressas em uma camiseta vendida para turista dizem:
"Viva para descansar. O trabalho é sagrado, não toque nele. Coma, durma e, quando acordar, descanse. Nunca faça amanhã o que você pode fazer depois de amanhã. Etc"
Claro que é uma brincadeira. Mas isso me fez pensar sobre a imagem que as camisetas para turistas transmitem sobre as cidades em que são compradas.

E me deu uma vontade danada de dizer: "oh, meu rei, faça isso com a sua amada Bahia não! Reforce as belezas da sua terra, o axé, a diversidade cultural, mas não reforce essa ideia de que baiano é preguiçoso não, pelamordedeus!"

É, acho que esses "10 mandamentos do baiano" não são nada engraçados!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

The book of spanish is on the table

Em 1996 eu passei cinco meses em New York, improving my English skills em uma escola para estrangeiros. De lá para cá eu não tinha mais voltado aos EUA. E qual não foi a minha surpresa ao voltar agora e perceber o quanto o espanhol ganhou (MAIS) espaço. Nos aeroportos, no comércio, nos restaurantes, na vida cotidiana.

Eu sabia que isso estava acontecendo, tinha lido nos jornais e revistas. Mas agora eu pude constatar with my very eyes and ears. Vi hispânicos em New York se dirigirem em espanhol a americanos sem o menor esforço de se fazerem entender em inglês e serem respondidos de imediato em espanhol. E sem má vontade. E não foi no comércio, onde isso já acontecia, pois, para os comerciantes o importante é vender e eles se comunicam até com mímicas.

A naturalidade da cena me surpreendeu. O comum para mim seria, antes de alguém tentar se comunicar com outras pessoas em alguma língua diferente da oficial daquele país, que houvesse algum gesto ou sutil movimento de pedido de licença que indicasse que a pessoa não conseguia se comunicar na língua oficial. Mas não houve nada parecido com isso. O casal hispânico simplesmente abriu a boca, perguntou o que queria em espanhol, e foi respondido em um bom espanhol por uma americana loira e de olhos naturalmente azuis. Simples assim.

Fiquei pensando nos desafios que o país está enfrentando para se adaptar a esta realidade, pelo menos nas maiores cidades. Imaginei que daqui a uns 20 anos, espanhol será também, realmente, uma língua oficial. Isso muda a imagem do país como um todo. E toda a maneira como as empresas e o governo se comunicam. Daqui a uns anos, as pessoas passarão a vir para os EUA para, oficialmente, aprenderem espanhol. What a change!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Depois da revolução, o turismo?



Vi este vídeo numa matéria da Fast Company, que mostrava como os egípcios estão tentando passar nas mídias sociais uma imagem positiva do país após a queda do ditador Mubarak, com o intuito de minimizar os danos à economia provenientes da diminuição do turismo na região.

A tentativa é válida, mas o impacto não chegará ao dedo do pé do causado pelos dias e dias de exposição negativa na mídia. Acho que eles poderiam ter sido mais enfáticos. Se querem alavancar o turismo, porque não mostram os pontos turísticos, não fazem um apelo direto para que as pessoas não os abandonem? Seria cliché, mas passaria a mensagem. Sinceramente, "do Egito, com amor" não me diz nada. E a você?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Polindo a imagem para ganhar mais confiança



Claro que se não tiver conteúdo, não adianta estar bonitinha por fora.
Mas achei a iniciativa bem legal! E você?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um quarto da população mundial sofre censura online


E os Repórteres Sem Fronteiras lembram que, em vários casos, a censura não se limita ao meio digital, mas (ainda) é uma ferramenta usada pelos governantes contra os seus oponentes.

Num mundo em que o acesso à tecnologia e à informação nunca foi tão importante, ler que um quarto da população mundial sofre algum tipo de censura me lembra um papo que tive em 2001 ou 2002 com uma amiga da Tanzânia sobre globalização. Stela disse que a ideia de globalização a assustava. E não por causa do famigerado temor de que o mundo todo vire meio americano. Mas ela se assustava com a globalização porque via que a globalização aumentava o gap entre os países em desenvolvimento e a Tanzânia. E isso acontecia porque o acesso à tecnologia e à informação era escasso no país dela.

Num mundo tão "sem fronteiras", como certos governantes ainda impõem tamanho atraso às suas populações, hein?

O gráfico eu peguei daqui.

PS: para ver o gráfico em tamanho ampliado (e ler as infos de texto nele contidas), basta clicar na figura.

domingo, 19 de setembro de 2010

O peso das palavras: shaming não está com nada!



Meu querido poetamigo Manoel Affonso de Mello tem uma frase que adoro: "Palavra: a mais poderosa das armas. Não pelo tom, mas pelo eco." Esta semana eu vivi duas experiências que me fizeram refletir sobre o peso das palavras e o uso que damos para elas.

A primeira foi em São Paulo, na terça-feira 14. Fui a São Paulo para entrevistar o Diretor Estratégico da Consumers International, Joost Martens. E perguntei a ele quais seriam as regras para o Bad Company Awards deste ano, tendo em vista que no ano passado as empresas foram escolhidas com base em Greenwashing e o tema continua atual e estratégico. Ele me respondeu que não sabia se este ano haveria o "prêmio" porque a estratégia de "naming and shaming" tomava muito tempo para elaboração dos indicados e trazia pouco resultado efetivo. Que o melhor a fazer era trabalhar na conscientização e na parceria com as empresas. Fantástico! Quando ouvi isso fez-se uma luz na minha cabeça. Isso aí, "shaming" não está com nada! Cria inimigos, carrega uma energia pesada. O que todos querem é apoio, incentivo, bons exemplos a seguir!
 
A segunda experiência aconteceu ontem, no Rio, quando vi a exposição sobre os 120 anos de nascimento de Anita Malfatti, no CCBB. Eu já tinha escutado falar sobre a crítica de Monteiro Lobato à exposição dela. Mas não tinha apreendido o que tinha acontecido. Sabe aquela coisa que a gente ouve na aula de Literatura, mas passa batido? Pois bem, tinha sido assim. E eis que ontem eu percebi o peso que as palavras de Monteiro Lobato tinham tido na vida e obra de Anita Malfatti. Era uma "simples" crítica de jornal sobre a exposição. Mas machucou profundamente a artista, deixando a sua obra um tanto mais conservadora. E o mundo nunca saberá aonde Anita poderia ter chegado se não tivesse sofrido tal castração por parte de Monteiro Lobato.

Ok, ok, não adianta apontar canhões para Monteiro Lobato agora. Mas com esses exemplos eu quis propor uma reflexão acerca do que os profissionais de comunicação comunicam. O que estamos fazendo com o poder que temos? Vamos educar em vez de envergonhar?

Uma crítica nunca é simples. E há diferentes tipos de críticas. Há as críticas justas. Mas há também aquelas feitas por ignorância, seja por não saber do que se está falando, seja por não alcançar a grandeza do conceito proposto; as feitas por má fé; por inveja ou vingança, etc. Antes de criticar alguém vamos parar e pensar: o que me leva a fazer tal crítica? Em que ela pode ser "construtiva"? Ela é justa? É isso!

Se alguém quiser ver a tal crítica de Monteiro Lobato à exposição de Anita Malfatti, publicada em 20 de dezembro de 1917, no jornal O Estado de São Paulo, clique aqui. A minha entrevista com Mr Joost será publicada em breve pela Proteste. Quando sair, eu aviso!

PS: Hoje o Imagem E Comunicação completa seu primeiro aniversário! Parabéns pra ele! :-)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O sincretismo religioso da Bahia e a construção da imagem corporativa


Eu tinha ficado de escrever mais sobre a conferência do Reputation Institute aqui no Rio e, na viagem para Salvador, encontrei um ótimo gancho.

A última sessão plenária da quarta, dia 19, discutiu os fatores-chave para a construção e sustentação de uma boa reputação para uma empresa que opera em vários países. E Salvador Apud levantou muito bem a importância de entender a cultura local em que uma empresa estrangeira deseja se instalar.
Para ele, empresas só conseguem se manter em mercados globais sem pensar no aspecto cultural se não tiverem concorrentes fortes. E ele chegou a afirmar que o sentimento de nacionalidade consegue limitar aspectos racionais.

Assim, ele deu uma verdadeira aula sobre como negociar levando em consideração o ponto de vista do outro. Não dá mais para chegar em outros países e tentar impor o modo de operar, de vender, de agir da sede sem fazer concessões. Parece óbvio e fácil, mas tem muito peixe grande errando por aí!

E o que isso tem a ver com a Bahia? Bem, só no Pelourinho encontramos uma placa em frente a uma igreja católica em que se lê "Largo Terreiro de Jesus". Só na Bahia o sincretismo é tão aceito e difundido que um terreiro de candomblé pode ser dedicado ao grande redentor do Catolicismo e ninguém estranha. Se uma empresa tentar ir para a Bahia e não for benevolente e aberta a novos paradigmas pode se dar super mal!

Salve Salvador (Apud)! 

Veja mais sobre o primeiro dia da conferência do Reputation Institute no Rio aqui.
Todos os posts do Imagem e Comunicação inspirados na conferência estão no marcador RIRio.

Quando falha comunicação, o sistema fica bruto!

Este feriado fui visitar minha tia tão querida que mora em Salvador. Ela tem uma loja e na sexta-feira demos uma passadinha lá para ver como estavam as coisas. Até aí, tudo bem. Minha surpresa deu-se quando vi a mesinha do manobrista do shopping em que fica a loja dela.

Preste atenção ao adesivo colado embaixo da placa que fala da cortesia do serviço. Minha primeira reação foi piscar os olhos e tentar ler outra vez. Não acreditei.

Você entragaria o seu carro a um manobrista que diz que com ele o sistema é bruto? Bizarro! Mesmo o serviço sendo gratuito, creio que ninguém queira usufrui-lo.

Quando comentei com a minha tia e a funcionária da loja dela, entendi tudo. A vendedora da minha tia me disse que o clima lá no shopping estava péssimo, com brigas do síndico atual com o síndico anterior, que os funcionários do shopping tinham até entrado em greve e fechado os portões para que ninguém subisse para as lojas dos andares acima do térreo.

Isso me fez refletir sobre os estabelecimentos que prestam serviços de "forma bruta" por aí. Poucos avisam tão categoricamente o que o consumidor poderá encontrar ao contratá-los. Mas quando falta comunicação entre as equipes, quando falta gestão, direcionamento e alinhamento, é bem provável que o "sistema seja bruto" ainda que disfarçado em sorrisos falsos, "senhores".

Portanto, afinemos nossos discursos internamente para não sermos surpreendidos por nossos funcionários colando adesivos tão pitorescos em suas bancadas de trabalho. Um "simples" escorrego desses é suficiente para destruir anos e anos de investimentos em imagem.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A marca "Brazil" de Lula

Eu já tinha escutado falar da melhoria da imagem do Brasil no exterior. Sei, inclusive, que há um esforço do governo em mudar a imagem do Brasil que data de 2002, ou seja, de AL (antes de Lula) e que vem sendo levado bem a sério.
Aliás, o nosso presidente fanfarrão nos mata de vergonha quando fala besteira, mas já foi chamado de "the guy" por Obama - que muitos de nós, brazucas, julgamos ser "o verdadeiro cara". O "nosso companheiro" que mostra o que sente é conhecido (e admirado) até pelo vendedor de água de um quiosque 24h em Puerto Varas, cidade com apenas 33 mil habitantes na Região dos Lagos, no Chile.
Quem viaja ao exterior não tem como não reconhecer que os esforços para mudar a imagem do Brasil estão surtindo efeito. Em 2001/02, enquanto estive em Londres, eu dizia que era portuguesa. Escondia a minha nacionalidade porque quando disse num pub que era brasileira, um carinha gritou para os seus amigos: "come on, guys, they are Brazilian", como se eu e minha amiga fôssemos mulheres como a mãe dele - para ser gentil.
Nestes últimos dias, recebi parabéns de estrangeiros por ser brasileira, fato que me encheu de orgulho e me comoveu. E por que os parabéns? Porque conseguimos ser a sede das Olimpíadas de 2016. Recebi parabéns de um casal de idosos venezuelanos que puxou conversa no Café Tortoni, em Buenos Aires, e de uma amiga paraguaia advogada bem-sucedida na casa dos 30 anos.
Se não bastasse, um argentino com seus 40 anos, que trabalha em uma empresa com escritório no Brasil (e faz com frequência a ponte Buenos Aires - São Paulo) me disse no aeroporto Ezeiza: "eu, como argentino, peço desculpas a você por esta fila tão grande. Isso me envergonha. Caos como esse não se vê no Brasil. Não é a toa que vocês são a potência que são e nós estamos assim, neste abandono."


Pára tudo: um argentino bem instruído reconhecendo o Brasil como uma Potência? - Parece que finalmente o futuro está chegando ao nosso país. Mas a gente ainda não viu. Será que estamos em uma caverna?

Eu já viajei para o exterior algumas vezes (passei por 15 cidades, em 8 países) e nunca tinha percebido o Brasil ser tão bem visto/quisto quanto nesta última. Ponto para Lula!



PS:  Tentei argumentar que temos filas grandes também, que nas Olimpíadas o Rio ficará um caos, mas ele retrucou com firmeza: "para assistir aos jogos vale a pena ficar na fila" e continuou ressaltando as grandezas do Brasil, da nossa economia, da liderança internacional, do Bric, etc.

PS2: este blog não é sobre política ou economia. Por isso, não vou entrar no mérito sobre o governo Lula ou a política de pão e circo das Olimpíadas (eu torci muito para que o Rio conseguisse ser a sede olímpica, apesar de todos os apesares). O fato que quero ressaltar é pura e simplesmente que o governo Lula efetivamente melhorou a imagem do Brasil no exterior. Ponto para ele e melhor para todos nós.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Buenos Aires tem gosto de Havanna, claro

Eu bem que tentei fugir do clichê e dizer que Buenos Aires tinha gosto de "tealosophy", mas me decepcionei quando cheguei na loja da Galeria Promenade e me dei conta de que lá não havia um espaço para degustação das iguarias que são vendidas, e às quais eu fui apresentada há tempos no Brasil pela TV. Na matéria que vi, a dona falava de como fazia as combinações de chá (parecia alquimia) e que a loja inteira exaltava o chá como uma filosofia. Bueno, guardei o nome para quando fosse à Argentina visitá-los. Pero saí da loja com duas latinhas de chá na mão e a sensação de "não era nada disso o que eu imaginava", mas ok, valeu a visita.

Por outro lado, se antes eu já amava os alfajores Havanna, depois da minha visita à loja do Caminito, estou ainda mais apaixonada! Os vendedores são os mais simpáticos que vi em Buenos Aires (nenhum deles me disse o "claro" tão seco e típico da ciudad) e o posicionamento da marca é muito bom! Como se poderia sair de Buenos Aires achando que há outro alfajor melhor do que o Havanna? Ele é acessível, é gostoso, é bonito...

Além disso, Havanna tem tudo para deixar o seu dia mais doce, com muito capricho. Preferi a filosofia de massa Havanna à de Inés - tão pretensiosa, mas que não foi capaz de me proporcionar um "magic moment".


PS: O post fica sem foto da tealosophy porque a vendedora não me permitiu tirar fotos na loja.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Recife tem gosto de Anjo Solto

Esses dias dei um pulo em Recife e voltei querendo registrar um exemplo de empresa que encanta, já que este blog pretende mostrar o que faz as empresas ficarem bem na mente dos consumidores.
Tem quem só consiga associar Pernambuco a bolo de rolo, mas para mim, Recife tem gosto mesmo é de Anjo Solto. No Anjo, eu me sinto em casa há bons dez anos. É o lugar que marco para encontrar os amigos, para comemorar meu aniversário, que me sinto acolhida, onde jogo conversa fora mesmo quando vou sozinha (quem trabalha lá vira amigo) e ouço música boa.
Quando fui em Paris, provei um monte de crepes só para ter certeza que nenhum supera o do Anjo. A massa dos crepes do Anjo é leve, o recheio é cuidadoso, os nomes dos pratos são divertidos (o cardápio é todo montado com nomes de personagens locais). O Anjo, com sua musiquinha lounge psicodélica e sua iluminação quente, tem cheiro de liberdade e drinks que acertam em cheio sem inventar muito ou pesar no bolso.
Só indo lá para entender.



Aliás, nesta minha última visita, fui surpreendida com um crepe surpresa (com massa de cereja e recheio de doce de leite),  preparado e entregue a mim pelo meu amigo que trabalha lá. Se não bastasse (vejam a minha cara de deleite devorando o presente), voltei para casa com um CD que comemora os 13 anos que o Anjo completou há uns dias. Fui dormir leve e feliz.
Em suma: o Anjo Solto bombardeia seus clientes de boas lembranças. E mexe não só com o paladar, mas com todos os sentidos. Receita imbatível de sucesso.