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terça-feira, 1 de junho de 2010

O sonho do Itaú x O sonho de Lennon



O Imagem E Comunicação, orgulhosamente, abre seu espaço para publicar um post enviado por um de seus seguidores, Leandro Buenavila. Bela reflexão!

Dois pesos e duas medidas
Por Leandro Buenavila*

É interessante observar como os bancos tentam há algum tempo dissociar-se da imagem de instituições que tem lucros exorbitantes para instituições próximas e parceiras das pessoas, que viabilizam seus sonhos e participam de suas conquistas. É um ponto de vista válido, os bancos têm o direito de construir essa imagem. Bancos têm o direito de serem responsáveis, corretos, éticos e até amáveis. Têm o direito de contrair bons valores, uma bela missão e uma visão de futuro que inclua a todos. Bancos têm o direito até de serem felizes. Tudo bem, mas depois desse discurso, preciso dizer que esse texto não é só sobre bancos, mas principalmente sobre música.

Então, qual é a música?

A música é a que toca em um filme. E o filme é o último do Banco Itaú, veiculado aos quatro ventos em horário nobre, que tenta convencer-nos, mais uma vez, que bancos são humanos, se preocupam com a sociedade e com o futuro. É possível que eles até possam realmente se preocupar. Alguns realizam um trabalho sério junto à sociedade. Mas isso não importa aqui, pois como já disse, o texto não é só sobre bancos.

No caso do filme do Itaú, que estreia a campanha institucional do banco em 2010, o objetivo é reforçar o posicionamento do banco, sua solidez, o compromisso de estar ainda mais próximo das pessoas; a mensagem de ser uma instituição focada em performance sustentável, na excelência de atendimento aos clientes e na satisfação de todos os stakeholders. É um pensamento interessante, contemporâneo e totalmente alinhado com os novos paradigmas que se erguem na sociedade no que se refere a relacionamento, gestão, significado de marca e sustentabilidade.

Para isso, o filme se desenvolve como um making of dos colaboradores do Itaú cantando a música Imagine, de John Lennon, durante o encontro de lideranças realizado em fevereiro. Em off, o locutor explica que “o Itaú Unibanco reuniu seus sonhadores para imaginar. Imaginar como podemos ser cada vez mais próximos de você. Como nos preparar para atender necessidades que você ainda nem sabe que vai ter. Muita gente vai dizer que isso é um sonho. Mas esse é o nosso sonho”, completa o locutor.

Bom, descobrimos qual é a música, ela fala de sonhos, mas agora cabe descobrir outras coisas: Qual é o sonho do Itaú? Qual é o sonho presente nas letras de Imagine? Estamos falando apenas de quaisquer sonhos? Se estivermos falando apenas de sonhos, então não importa quais sejam os sonhos ou a profundidade e a relevância dos mesmos. Não importa o que se imagina. Quando ouvimos Imagine, quais os sonhos que nos vêm à cabeça? Os sonhos de John Lennon ou os sonhos de todos nós escritos pelas mãos do ex-Beatle?

John Lennon compôs uma canção que fez ecoar o sonho de milhões de pessoas. Por isso, a música tornou-se um patrimônio de toda sociedade e um hino para todos aqueles que sonham com um mundo sem fronteiras em que reina a paz absoluta, sem guerras, sem desigualdades, um mundo absolutamente justo. Esses são os valores de Imagine.

Seriam os valores de Imagine os mesmos valores do Itaú? Não sei, arrisco dizer que há uma boa diferença entre eles. Talvez não quanto ao teor, mas, com certeza, quanto à profundidade desses valores. Ao associar-se aos valores de Imagine, à toda carga emocional e a todos os signos que remetem à percepção do que significa essa música para todos nós, o banco pode cometer um exercício de soberba, ingenuidade ou até hipocrisia. Você escolhe. Tratando-se de um banco, fica difícil acreditar em ingenuidade. Restam as outras duas opções. Ora, a profundidade dos valores expostos aqui importa muito, sim, e não acredito que o Itaú não saiba disso. São absolutamente dois pesos e duas medidas.

* Leandro é designer e um dos sócios da Buenavila

PS: Outros posts sobre o Itaú aqui.

domingo, 11 de outubro de 2009

Os Beatles desbancaram Michael Jackson



A revista Exame de 07/10/2009 (edição 953) traz uma matéria interessante sobre como os Beatles conseguem se manter no mercado como uma marca eterna. Segundo a matéria, assinada por Renata Agostini, o lançamento dos 14 álbuns dos Beatles em versão remasterizada, em setembro, fez com que a banda desbancasse Michael Jackson na quantidade de álbuns listados entre os 10 mais vendidos no ranking geral da Billboard.
Beatles 5 x 3 Michael.
Levando em consideração que estamos no ano que MJ morreu e que a banda se separou há 40 anos, it's remarkable! Em cinco dias, foram vendidas 2,3 milhões de cópias.

E o que faz dos Beatles uma marca sempre tão amada? A matéria mostra algumas razões:

* Longos intervalos entre os lançamentos de seus álbuns, com tempo suficiente para que haja o amadurecimento de uma geração e novos públicos sejam alcançados.

* Cuidado com a marca. Há severas restrições ao uso indiscriminado da marca. Por exemplo: não é permitida a entrada de músicas da banda em coletâneas de outros artistas, nem a venda de álbuns com preços promocionais, tampouco a marca pode ser vinculada a propaganda de produtos que não sejam dos Beatles.

* Diversificação dos produtos e correta exploração mercadológica. Por exemplo: a Disney já anunciou que deve lançar uma versão 3D de Yellow Submarine (desenho animado estrelado pelos Beatles em 1968) coincidindo com os Jogos Olímpicos de 2012, que serão em Londres. Além disso (e entre outras coisas), o Cirque du Soleil tem um espetáculo com as músicas da banda desde 2006 e um jogo que faz de você um dos Beatles foi lançado recentemente.

Show de bola!